Brooklyn

21. O Estupor Passa—Outra Coisa Começa

O ESTUPOR PASSA—OUTRA COISA COMEÇA

Mas a hora, o dia, a noite passaram, e o que quer que retorne, uma hora, um dia, uma noite como aquela não pode nunca retornar de novo. O Presidente, recuperando-se, começa naquela mesma noite–severamente, rapidamente inicia a tarefa de reorganizar suas forças, e colocando-se em posições para trabalho futuro e mais seguro. Se não houvesse mais nada de Abraham Lincoln com o qual a história pudesse carimbá-lo, é o suficiente mandá-lo com sua coroa de flores para a memória de todo tempo futuro, que ele suportou aquela hora, aquele dia, mais amargo que fel–de fato um dia de crucificação–que não o subjugou–que ele inabalavelmente enfrentou, e resolveu levantar a si mesmo e à União para além dele.

Então os grandes jornais de Nova Iorque apareceram de uma vez (começando naquela noite, e prosseguindo na manhã seguinte, e incessantemente por muitos dias depois) com líderes que soaram pelo país o toque mais alto, mais reverberante dos mais claros clarins, cheios de encorajamento, esperança, inspiração, inflexível desafio. Aqueles magníficos editoriais! eles nunca fatigaram nem por uma quinzena. O “Herald” os iniciou—lembre-me bem dos artigos. O “Tribune” também foi convincente e inspirador—e o “Times”, “Evening Post”, e outros jornais principais, não ficaram nem um pouco para trás. Eles vieram em boa hora, pois eram necessários. Pois, na humilhação de Bull Run, o sentimento popular no norte, a partir de sua extrema arrogância, recuou à profundidade da
tristeza e apreensão.

(De todos os dias da guerra, há dois especialmente que nunca posso esquecer. Esses foram o dia seguinte à notícia, em Nova Iorque e Brooklyn, daquela primeira derrota de Bull Run, e o dia da morte de Abraham Lincoln. Eu estava em casa no Brooklyn em ambas as ocasiões. No dia do assassinato ouvimos a notícia muito cedo de manhã. Mãe preparava o desjejum—e outras refeições depois—como sempre; mas nem um bocado foi ingerido durante todo o dia por nenhum de nós. Cada um de nós bebeu meia xícara de café; isto foi tudo. Pouco foi dito. Compramos todos os jornais de manhã e de tarde, e os extras freqüentes desse período, e os passamos silenciosamente um para o outro).

19. Sentimento de desprezo

SENTIMENTO DE DESPREZO

Entretanto, mesmo após o bombardeio de Sumter, a gravidade da revolta, e o poder e a vontade dos Estados escravocratas por uma resistência militar forte e continuada à autoridade nacional não foram percebidos no Norte em absoluto, exceto por uns poucos. Nove décimos da população dos Estados livres observavam a rebelião, conforme iniciada na Carolina do Sul, a partir de um sentimento metade desprezo, e a outra metade composta de raiva e incredulidade. Não foi pensado que seria aderida por Virginia, Carolina do Norte, ou Geórgia. Um grande e cauteloso oficial federal previu que cessaria “em sessenta dias”, e as pessoas geralmente acreditaram na previsão. Lembro-me de ter falado sobre isso em uma balsa de Fulton com o prefeito de Brooklyn, que disse que apenas “esperava que os cabeças-quentes do Sul cometeriam algum ato ostensivo de resistência, e como eles seriam então imediatamente e bem efetivamente esmagados, nunca ouviríamos falar de secessão de novo–mas ele temia que eles nunca teriam a coragem de realmente fazer alguma coisa.” Lembro-me, também, que algumas companhias do Thirteen Brooklyn, que se reuniam no arsenal da cidade, e começaram  por isso  como soldados na ativa por trinta dias, foram todos providos com pedaços de corda, amarradas conspicuamente aos canos de seus mosquetes, para trazer com eles de volta cada homem um prisioneiro do audacioso Sul, a ser conduzido em um laço, no retorno prematuro e triunfante de nossos homens!

17. Início da Guerra de Secessão

INÍCIO DA GUERRA DE SECESSÃO

A notícia do ataque ao Forte Sumter e à bandeira no porto de Charleston, C.S. (Carolina do Sul), foi recebida na cidade de Nova Iorque tarde da noite (13 de abril de 1861), e foi imediatamente expedida em edições extras dos jornais. Eu tinha ido à ópera na Rua Quatorze, naquela noite, e após o espetáculo estava andando pela Broadway cerca de meia-noite, em direção ao Brooklyn, quando ouvi à distância os gritos dos jornaleiros, que vinham num instante agitados e estridentes pela rua, correndo de um lado para outro ainda mais furiosamente do que o habitual. Comprei um extra e atravessei para o hotel Metropolitan (Niblo’s), onde as grandes lâmpadas ainda estavam ardendo claramente, e, com uma multidão de outros, que se juntaram de improviso, li a notícia, que era evidentemente autêntica. Para o benefício de alguns que não tinham jornais, um de nós leu o telegrama em voz alta, enquanto todos ouviam silenciosa e atentamente. Nenhuma observação foi feita por ninguém da multidão, que tinha aumentado para trinta ou quarenta, mas todos ficaram um minuto ou dois, eu lembro, antes de se dispersarem. Quase posso vê-los lá agora, sob as lâmpadas à meia-noite de novo.

Monumento Nacional Fort Sumter

16. Fontes de Caráter–resultados–1860

FONTES DE CARÁTER–RESULTADOS–1860

Para resumir o que precede desde o início (e, naturalmente, muito, muito mais sem registro), estimo três principais fontes e marcas formativas para o meu próprio caráter, agora solidificado para o bem ou para o mal, e suas conseqüências posteriores literária e outras–a linhagem materna trazida para cá dos longínquos Países Baixos, por exemplo, em primeiro lugar (sem dúvida a melhor)–a tenacidade subterrânea e a estrutura óssea central (obstinação, voluntariedade), que adquiri dos meus elementos paternais ingleses, em segundo–e a combinação de meu local de nascimento, Long Island, praias, cenas da infância, absorções, com os fervilhantes Brooklyn e Nova Iorque–com, suponho, as minhas experiências posteriores na deflagração da secessão, em terceiro.

Pois, em 1862, assustado pela notícia de que meu irmão George, um oficial do regimento 51 de voluntários de Nova Iorque, tinha sido gravemente ferido (primeira batalha de Fredericksburg, 13 de dezembro), fui às pressas para o campo de guerra em Virginia. Mas devo retornar um pouco.

Batalha de Fredericksburg - Kurz and Allison.

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