12. Paisagens da Broadway

PAISAGENS DA BROADWAY

Broadway em 1885

Além da barca de Fulton, de vez em quando durante muitos anos, conheci e freqüentei a Broadway—essa célebre avenida de Nova Iorque de natureza humana repleta e mista, e de tantas pessoas insignes. Aqui eu vi, naqueles tempos, Andrew Jackson, Webster, Clay, Seward, Martin Van Buren, o flibusteiro Walker, Kossuth, Fitz Greene Halleck, Bryant, o Príncipe de Gales, Charles Dickens, os primeiros embaixadores japoneses, e muitas outras celebridades daquela época. Sempre algo novo ou animador; porém principalmente para mim a amplidão apressada e vasta daquelas intermináveis correntes humanas. Lembro-me de ter visto James Fenimore Cooper em uma sala de tribunal na rua Chambers, atrás da prefeitura, onde ele estava conduzindo uma causa judicial–(acho que era uma acusação de difamação que ele tinha apresentado contra alguém). Lembro-me também de ter visto Edgar A. Poe, e de ter uma pequena entrevista com ele (deve ter sido em 1845 ou 1846), em seu gabinete, segundo pavimento de um prédio de esquina (rua Duane ou Pearl). Ele era editor e proprietário ou parte proprietário do “Broadway Journal” [Diário da Broadway]. A visita foi sobre uma composição literária minha que ele tinha publicado. Poe foi muito cordial, de uma forma tranquila, apresentava-se bem em pessoa, vestimenta, etc. Tenho uma distinta e agradável recordação de sua aparência, voz, modo e assunto; muito gentil e humano, mas calado, talvez um pouco cansado. Considerando outra de minhas reminiscências, aqui na extremidade oeste, logo abaixo da rua Houston, vi uma vez (deve ter sido por volta de 1832, de um frio e brilhante dia de janeiro), um homem muito velho, curvado, frágil, mas corpulento, barbudo, envolto em ricas peles, com um gorro de arminho na cabeça, guiado e assistido, quase carregado, descendo os degraus de sua alta varanda (uma dúzia de amigos e criados, emulativos, cuidadosamente segurando, conduzindo-o) e depois erguido e enfiado em um suntuoso trenó, coberto com outras peles, para um passeio.O trenó era puxado pela mais bela parelha de cavalos que já vi. (Não precisas achar que os melhores animais são criados hoje em dia; nunca houve espécie de cavalo como há cinquênta anos em Long Island, ou no sul, ou na cidade de Nova Iorque; as pessoas buscavam espírito e vigor em um cavalo de corrida, não meramente velocidade domesticada.) Bem, eu, um garoto de talvez treze ou catorze anos, me detive e fitei longamente o espetáculo daquele velho senhor envolto em peles, rodeado de amigos e criados, e sua cuidadosa acomodação no trenó. Lembro dos cavalos animados, rilhando os dentes, o condutor com seu chicote, e um condutor-parceiro ao seu lado, por cautela extra. O velho senhor, objeto de tanta atenção, posso quase ver agora. Era John Jacob Astor.

John Jacob Astor, o primeiro multimilionário norte-americano

Os anos de 1846, 1847, e dali em diante, vêem-me ainda na cidade de Nova Iorque, trabalhando como escritor e tipógrafo, com a minha costumeira boa saúde, e geralmente me divertindo.

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